O DVD SUBSTITUIRÁ O VIDEOCASSETE?
Muita gente tem se perguntado se o DVD eventualmente substituirá o
videocassete, ou se nasceu com esta pretensão. Para tentar prever o que
poderá se passar nos próximos anos, devemos analisar alguns pontos:

Novas tecnologias não vêm necessariamente para substituir e tornar
obsoletas outras tecnologias que eram utilizadas para fins parecidos.
Basta ver o que aconteceu com os fornos de micro-ondas, que foram
adotados pelas donas-de-casa e hoje povoam as cozinhas ao lado dos
fornos convencionais - os fornos convencionais não foram para o lixo com
a chegada do micro-ondas.

Neste mesmo sentido, é fácil perceber que o homem moderno gosta de se
ver cercado por cada vez mais "dispositivos" que facilitam sua vida e/ou
são usados para proporcionar entretenimento. Enquanto uma cozinha dos
anos 50 tinha praticamente um fogão, uma geladeira e um liquidificador,
à cozinha dos nossos tempos adicionamos batedeiras, trituradores,
processadores, máquinas elétricas de fazer café, aspiradores, moedores,
etc. O entretenimento doméstico se resumia ao velho rádio ao redor do
qual se reunia toda a família - enquanto a sala de hoje pode trazer
aparelhos de som, televisores, videocassetes, amplificadores,
projetores, etc. À cada novo item adicionado, dificilmente se pensava
sobre o que poderia ser dispensado entre os velhos; simplesmente se
adicionava.

Além disso, sabemos que o videocassete hoje em dia é utilizado em maior
escala para assistir a fitas pré-gravadas disponibilizadas pelas
video-locadoras, e em menor escala para fazer gravações. Neste ponto, o
DVD é o substituto perfeito, e com o tempo - quando as video-locadoras
tiverem um acervo de discos DVD igual ao acervo atual de fitas VHS -
esta necessidade será perfeitamente suprida pelo DVD.

Mas, a possibilidade de gravação oferecida pelo videocassete não pode
ser esquecida. Poder gravar um filme enquanto se assiste a outro, ou
programar a gravação do programa favorito quando se está ausente não
pode ser desprezado. Um DVD gravável só seria desejável neste ponto se
as fontes de sinais fornecessem qualidade digna de um disco DVD;
atualmente, a qualidade de nossos sinais de TV só produziria DVDs de
qualidade ruim. Enquanto não chegarem as TVs de alta resolução, o
videocassete vai cumprindo bem sua missão. Também devemos considerar que
a maior parte das gravações não têm a intenção de serem preservadas
eternamente; apenas visam possibilitar ao espectador assistir ao
programa que não pôde ser visto na hora da exibição - estas fitas são
normalmente apagadas e re-aproveitadas para outras gravações. Gravar
estes programas em discos DVD seria um desperdício.

Há porém o mercado das gravações de eventos: casamentos, festinhas,
formaturas, etc., ou de filmes empresariais - institucionais,
treinamento, etc. Para esse tipo de mercado, logo teremos vários
profissionais investindo em equipamentos para oferecer o registro deste
tipo de gravação em DVD.

O compact-disc (CD) tem sido sucesso há quinze anos, e só agora aparecem
os aparelhos de gravação de CDs a preços mais acessíveis. Os gravadores
de DVDs só terão preços acessíveis também daqui vários anos - quando
também as TVs terão sinais de melhor resolução e as câmeras digitais
forem mais populares. Por isso, certamente durante muito tempo ainda,
teremos o DVD e o videocassete convivendo pacificamente lado a lado -
cada um cumprindo a sua função.

Luciano Guimarães.


 
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