MITOS
Pedro Luis Fagá Celli

Quando conversamos sobre DVD, geralmente acabam aparecendo alguns mitos nas cabeças das pessoas, o que acaba causando alguma confusão naquelas pessoas que estão "namorando" o formato. Tentamos juntar aqui os mitos mais comuns e tentamos esclarecer as confusões com explicações factuais.


1. Não compatível com HDTV. Aparelhos de DVD atuais são tão compatíveis com HDTV quanto o seu Videocassete, filmadora, e aparelhos de laserdisc. Para tirar proveito da natureza digital e "scan" progressivo de HDTV, serão necessários novos aparelhos de DVD. Estes aparelhos farão os discos atuais parecer até melhor em HDTVs, mas não proverá resolução total de HDTV. Eventualmente um formato de HD-DVD "novo" aparecerá, baseado em laser azul. O formato novo vai requerer discos novos e aparelhos novos, mas estes aparelhos irão tocar discos de DVD antigos e CDs. Se você resolver esperar por esta tecnologia, compre uma cadeira confortável. Quando a tecnologia estiver pronta, provavelmente em cinco anos, vai haver uma outra "batalha". Se houve uma briga de foice no escuro para convencer as distribuidoras a colocar seus títulos no formato atual (Obrigado Warner, mas mude os estojos) , imagine o que vai ser necessário fazer para convencê-los a colocar seus filmes milionários num formato pirateável de alta definição. 

2. Dolby Digital é 5.1 canais. O Dolby Digital (antigamente chamou-se AC-3) possui de 1 a 5 canais de audio digital comprimido, e um canal opcional de "efeitos de baixa frequeência" (LFE). A trilha Dolby Digital não tem que incluir todos os 5.1 canais. Pode ser mono ou estéreo, e o estéreo pode ou não ser Dolby Surround codificado (para playback em um sistema com um decodificador Dolby Pro Logic). 

3. O Audio é só 12 bits. Este mito iniciou-se pela revista Widescreen Review, que tentou comparar a trepidação de áudio (jitter) em aparelhos de DVD numa resolução auditiva reduzida (o áudio foi reduzido em laboratório para os testes da revista). O áudio do DVD pode ser 16, 20 ou 24 bits. A trepidação (jitter) não reduz o número de bits. Há muitos tipos de trepidação. Trepidação no sinal de um canal é compensada pelos circuitos de leitura e não depende do formato do DVD. É verdade que uma trepidação num estágio mais avançado pode reduzir a qualidade do áudio, mas daí a comparar este áudio com uma amostragem de 12 bits é ingênuo e impreciso. A maioria dos artigos indicam que os aparelhos de DVD tem um som tão bom quanto ou muito melhor que os CDs equivalentes. 

4. O nível de áudio é muito baixo Para falar a verdade, o nível de áudio de todos os outros aparelhos é que é muito alto. Trilhas de filmes são extremamente dinâmicas, elas vão do quase silêncio a intensas explosões. Para que os equipamentos possam suportar esta crescente variação dinâmica e seus picos (próxima ao limite de 2V RMS) sem distorções, o nível médio de áudio deve ser baixo. Esta é a razão pela qual a saída de áudio dos DVD player é um pouco mais baixa do que outras fontes. 

5. 133 minutos por lado. Este valor exato é descabido. Um disco de camada única pode acomodar com facilidade 150 minutos de dados de vídeo com uma compressão "padrão" e apenas uma trilha de áudio. Abaixando-se o nível de compressão levemente poderíamos acomodar até 3 horas numa única camada. DVDs de dupla camada podem acomodar mais de 4 horas num único lado. 

6. Artefatos (defeitos) digitais. Quase todos relatórios de "artefatos" em DVD quando bem analizados acabam mostrando não ter nada a ver com compressão MPEG. Este defeitos são originados de muitas fontes: problemas com o filme original, transferência de vídeo ruim, ajustes incorretos do televisor, conexões de vídeo ruins, interferência elétrica, problemas com o aparelho de DVD, erros de leitura do disco, etc. Alguns destes problemas podem ser corrigidos ajustando o televisor ou limpando o disco. A maioria do DVDs tem muito poucos artefatos de compressão visíveis. Se você pensa o contrário, você está interpretando mal o que você vê. 

7. Aparelhos não conseguem ler discos de dupla camada (RSDL). TODOS os aparelhos de DVD e drives de DVD-ROM são capazes de ler discos de duas camadas (RSDL). Discos de dois lados em simples camada devem ser virados manualmente. (não existem aparelhos que façam esta operação automaticamente.) 

8. DVD é um padrão mundial Infelizmente não. Além dos códigos regionais que não permitem que os discos de uma determinada área toquem em outras áreas (ver glossário), o DVD usa formatos diferentes para reproduzir em NTSC e PAL. Aparelhos adquiridos nos Estados Unidos quase nunca são capazes de reproduzir DVDs PAL. Os aparelhos europeus podem tocar em NTSC e PAL, mas requerem televisores capazes de reproduzir 60Hz ou que sejam multi-padrão (a corrente alternada de eletricidade européia é 50Hz). Os DVDs que circulam no Brasil são NTSC. Os aparelhos brasileiros fazem a conversão para PAL-M na saída. Os aparelhos de TV mais modernos já possuem entradas NTSC, o que permite o uso de aparelhos importados sem modificação. 

9. A Sony está preparando um formato concorrente. Não, talvez complementar. A Sony anunciou o seguinte: 1) Eles estão trabalhando num DVD de alta densidade; 2) Eles estão propondo o arquivamento de áudio DSD como padrão para DVD-audio, e talvez o adotem como recurso extra e por conta própria se não for aceito como padrão; e 3)Eles estão trabalhando numa versão diferente de DVD apagável chamado DVD+RW. Isto tudo junto virou um boato de que a Sony lançaria um formato concorrente. Tanto isto não é verdade, que a Sony é uma das empresas associadas ao DVD Forum, orgão oficial do formato, e é uma das empresas que mais tem lançado títulos no mercado, alguns shows incríveis. 

10. Vale a pena esperar por um DVD gravável. Assim como vale a pena esperar por um disco voador e não utilizar aviões. Estes DVDs graváveis serão específicos para computadores e serão utilizados em produtoras e emissoras de televisão com necessidades específicas de vídeo digital. O grande medo das produtoras é a pirataria, este foi o principal motivo que quase impediu o DVD de ver a luz do dia. As produtoras sempre usarão seu imenso poder de pressão econônica para "enquadrar" formatos que favoreçam a pirataria de seus filmes milionários. O custo desta tecnologia é alto e subiria ainda mais com a colocação de dispositivos que controlem a reprodução não autorizada de material. Se um dia este formato se popularizar, será de maneira análoga ao que aconteceu com o CD (sua avó pode ter um aparelho de CD em casa, mas ela tem um gravador de CDs?).